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Encontro Nacional contra a Fome acontece no Brasil

Nos dias 20 a 23 de junho de 2022, na forma presencial e online, no Rio de Janeiro, a Organização Ação da Cidadania com diversas entidades como Instituto Fome Zero, Rede Evangélica Nacional de Ação Social, Contag, CNBB, Abrasco, OAB, entre outras que atuam na temática da segurança alimentar organizaram paineis com especialistas para debater a situação da fome no Brasil, bem como as soluções para frear o avanço.

33 milhões de pessoas em situação de fome no Brasil

Sandra Chaves e Rosana Salles da Rede PENSSAN apresentaram o 2º Inquérito Nacional de Segurança e Insegurança Alimentar, divulgado no início desse mês com resultados que chocaram o país.

Como foi a experiência do Brasil quando saiu do Mapa da Fome?

José Graziano da Silva, Tereza Campello, Caio Magri, e Ribamar de Araujo e Silva traçaram um panorama das principais ações implementadas que reduziram a fome no país até 2014, a níveis inferiores a 5% da população.

A agricultura familiar e produtores de pequeno porte impulsionam a economia local e protegem as mulheres em situação de vulnerabilidade social e de violência.

Kelly Bombem abordou a experiência de 2 anos de parceria da comunidade que sustenta a agricultura do município de Boituva-SP, em que a sociedade adquire cestas semanais de alimentos dos agricultores.

Por que a fome atinge mais as mulheres nas áreas rural e urbana?

Francisco Menezes, Selma Gloria, Luna Arouca e Bela Reis debatem e deram dados dos seus territórios e aprofundaram os dados nacionais apontados pelo II Inquérito sobre Insegurança Alimentar da Rede Penssan, e provocam aos participantes a compartilhar e identificar soluções e alternativas.

Ética e dignidade humana. Denúncia e enfrentamento ao projeto político e econômico da fome.

Bruna Matos, Talita Guimarães, Eduardo Brasileiro, Frei Marx debatem a fome como projeto político e econômico, a partir da ótica estrutural e conjuntural, e a exposição de alternativas viáveis para construção de outros modos de produção e organização social, tratando diretamente do papel do Estado e também da organização social e experiências como as economias solidária, feminista e de povos tradicionais.

Frente Nacional Contra a Fome

Fábio José Garcia Paes falou sobre a Frente Nacional Contra a Fome, que nasce no contexto de crise emergencial da pandemia em uma perspectiva de enfrentamento estrutural da fome, nas mais complexas dimensões. Em busca de uma nova forma de trazer respostas, apontou para soluções da base, servindo como espaço de articulação, mobilização, educação e organização popular que, ao mesmo tempo, promove iniciativas de pessoas, movimentos, instituições, associações, instâncias de tomada de decisão, setor privado e gestão pública em prol de uma nova forma de ser e agir contra a fome. Jaqueline Alison Dun e Pedro Borges falaram do envolvimento da sociedade civil com uma pitada de solidariedade e tem amor no tempero.

Compras públicas de alimentos e abastecimento alimentar

José Graziano da Silva, Guilherme Costa Delgado, Maria Kazé falaram das medidas adotadas pelo governo Bolsonaro e levaram o país a uma situação de crise política, econômica, de fome e miséria. Ao mesmo tempo que o Brasil amplia a produção agropecuária de commodities, não há qualquer política de incentivo à produção de alimentos para o mercado interno, nem para o combate à inflação de alimentos. Isso levou a ampliação do quadro de insegurança alimentar e nutricional de mais da metade da população brasileira, sobretudo das regiões Norte e Nordeste, sendo as mulheres negras as mais afetadas por esse desmonte. Desse modo, entendemos oportuno aprofundar o debate sobre o desmonte, por parte do Governo Bolsonaro, do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento e dos programas de convivência com o Semiárido.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e Segurança Alimentar

Daniel Balaban, Rafael Zavala, Carlo Pereira, Florence Bauer e Aline Czezacki falaram que a ONU e seus parceiros no Brasil estão trabalhando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). São 17 objetivos ambiciosos e interconectados para acabar com a fome e com a pobreza, proteger o meio ambiente, e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são alguns dos objetivos das Nações Unidas para que possamos alcançar a Agenda 2030 no Brasil. Neste painel, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Pacto Global (iniciativa da ONU para engajar empresas e organizações), focam no “ODS 2”, que busca acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhor nutrição e promover a agricultura sustentável; e no “ODS 17”, de fortalecimento dos meios de implementação e revitalização da parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Impacto Social através dos projetos no combate à fome

Maria Renata Siqueira, Gustavo Porpino, Adriana Leal e Winnee Louise Santos Lima debateram os benefícios sociais, de saúde, de educação, bem-estar humano, e respeito à dignidade em iniciativas ligadas ao combate à fome e promoção da segurança alimentar. Além dos três painelistas, outros convidados especialistas e pesquisadores em matéria de segurança alimentar participaram da discussão.

Territórios Solidários

Rene de Castro Lopo Neto, Cristina Barros, Claire Beraldo, Claudia Roseno e Viviane da Soledade falam da experiência do Serviço Social do Comércio (SESC), através do Mesa Brasil, vem atuando vigorosamente através de uma rede de doadores e entidades sociais para fazer chegar até à mesa de milhões de brasileiros alimentos que contribuam efetivamente para compor suas refeições. O Mesa Brasil Sesc integra uma potente rede nacional de bancos de alimentos e tem sido reconhecido internacionalmente como a maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina. Partindo desse trabalho já estruturado e com uma operação sedimentada podemos pensar em restabelecer no SESC ações de caráter educativo e assistencial destinadas às instituições atendidas pelo MBS (Mesa Brasil SESC) e aos moradores de territórios vulneráveis e comunidades tradicionais. Essas ações visam recolocar em debate o papel sociopolítico da comida e estabelecer processos educativos que ampliem o universo de possibilidades do ato de comer. Sugerimos, por meio dessa equipe transversal, a integração das ações do Mesa Brasil Sesc e Departamento Nacional Direção-Geral Desenvolvimento Comunitário na perspectiva da garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável com a criação de um campo de atuação que una esforços no sentido de agir nesse momento emergencial, propondo ações socioassistenciais em territórios onde há interlocução de ambas as Atividades.

O Papel da Politica Tributária para Promoção de uma Alimentação Saudável e Sustentável

Marília Sobral Albiero, Arnoldo de Campos e Edna de Cássia Carmelo discutiram sobre dados inéditos sobre a distorção tributária que existe no nosso sistema fiscal que favorecem a fome, o acesso e a produção aos alimentos ultraprocessados em relação aos alimentos in natura e minimamente processados, entre as cadeias produtivas convencionais com o modo de produção orgânico e agroecológico, propostas de políticas fiscais que possam ser adotadas pelos governos federal e estudais para facilitar o acesso e produção de alimentos saudáveis e sustentáveis.

Saúde da População Negra no SUS e o impacto da Fome.

Dra. Lucia Xavier, Profa. Roselene Torquato, Edgard Ap. de Moura e Dra Joice Aragão relatam a experiência o aumento das doenças fisicas e mentais principalmente da população negra. Bem como as consequencias do enfraquecimento do Sistema Unico de Saude - SUS. 

Dra. Ana Poblacion falou que a insegurança alimentar é considerada um problema de saúde pública no Brasil. Profissionais da área da Saúde necessitam de métodos de identificação de domicílios em insegurança alimentar para assegurar que as famílias sejam encaminhadas aos equipamentos disponíveis. A TRIA (Triagem para Risco de Insegurança Alimentar) é uma ferramenta de 2-itens validada à partir da EBIA que possui alta sensibilidade e especificidade. A TRIA foi recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil para utilização em todas as consultas da Atenção Básica à Saúde por ser uma ferramenta válida, acessível, de baixo custo, e com baixo tempo de aplicação, que facilita a tomada de decisões, principalmente em tempos de crise. Este Painel tem o propósito de apresentar a TRIA é discutir sua utilização no Brasil.

A responsabilidade e atuação parlamentar na erradicação da fome no Brasil

João Carlos Siqueira, conhecido como Padre João, Erika Hilton e Marcos Lopes Filho defendem o Direito Humano à Alimentação Adequada conforme prevê a Constituição Federal de 1988, é a reafirmação pela sociedade brasileira de que a superação da fome e a garantia da soberania e da segurança alimentar e nutricional são uma responsabilidade primeira do Estado e uma prioridade dos seus Poderes em todos os níveis, Municipal, Estadual e Federal. Esperam-se maior dedicação dos parlamentares com a soberania e segurança alimentar e nutricional.

O combate à fome e a promoção da alimentação adequada e saudável: (re)conectando as dimensões do DHAA nas políticas públicas.

Inês Rugani R. de Castro, Elisabetta Recine, Paula Johns, Ana Carolina Feldenheimer da Silva e Kelly Alves falaram também, do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e que possui duas dimensões indissociáveis: estar livre da fome e ter uma alimentação adequada e saudável. Insistem nas medidas de promoção da alimentação adequada e saudável a partir de uma agenda regulatória de proteção de práticas alimentares adequadas e saudáveis em ações emergenciais e estruturais de segurança alimentar e nutricional.

Alimentação e nutrição como direito humano

Beatriz Blackman, Raphael Barreto da Conceição Barbosa e Nayara Côrtes Rocha problematizaram a violação do direito à alimentação e à nutrição adequadas das populações e mulheres negras, refletir sobre as práticas das organizações e conjuntamente apontar possibilidades para mudança. 

Estratégias de intervenção permanente no Combate à Fome. Case da implantação de cozinhas comunitárias no terceiro setor

Winnee Louise Santos Lima, Danilo Pereira, Clícia Couto, Lícia Marca, Richarlls Martins e David Hertz discursaram sobre a rede de equipamentos públicos de alimentação, é uma estratégia fundamental para a consolidação da política de Segurança Alimentar e Nutricional, especialmente pautadas e construídas pelo terceiro setor. É nesse contexto que surgiram as  cozinhas solidárias com a proposta de incidir de forma emergencial no atual panorama nacional de agravo da insegurança alimentar. É necessário construir um espaço de diálogo entre organizações sociais, bem como reflexões sobre as iniciativas articuladas às políticas públicas em alimentação no âmbito municipal, estadual e federal.

Fome e Justiça: Direito humano à alimentação

Silvia Souza, Maíra Vida, Ney Strozake e Andrea Sepulveda relatam o direito humano à alimentação adequada precede todos os demais direitos fundamentais, pois sem a alimentação o ser humano não vive. Abordaram esse direito perante o sistema de justiça brasileiro, no âmbito dos tribunais superiores e a implicação e atuação de órgãos do sistema de justiça.

Brasil sem fome com comida de verdade

Adriana do Nascimento Silva, Ana Paula Ribeiro, Jucimeri Isolda Silveira e Elisabetta Recine promoveram uma discussão sobre o diálogo entre medidas emergenciais necessárias para enfrentar a crise aguda que estamos vivendo e medidas sistêmicas que incidam nas raízes estruturantes das desigualdades e fome no Brasil. Propostas estratégicas do campo-cidade, da produção-consumo e de ações emergenciais-mudanças sistêmicas, dos movimentos de assistência social e de segurança alimentar e nutricional.

Fonte: https://www.encontrocontraafome.org.br/

 

 


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