Norte Pioneiro




Norte Pioneiro é realmente o "corredor da fome"?

A fome é evidente em todo o Brasil. Cada região do país apresenta particularidades e situações variadas. Concomitantemente, uma das causas é a situação de pobreza. Mesmo em tempo de pandemia ou pós-pandemia, os governos e a sociedade devem preocupar-se com a situação da fome.

Mesmo com os programas sociais, a radiografia social principalmente em pequenos municípios pouco sofreu alterações, e que não conseguiram encontrar caminhos para o desenvolvimento e geração de renda.

Segundo a FAO (Food and Agriculture Administration), braço da ONU (Organização para as Nações Unidas) voltada à alimentação, a fome no Brasil "explodiu" no último quadriênio, a situação de insegurança alimentar passou de menos de 5,2 milhões em 2017 para 13 milhões de brasileiros em 2019. Não muito diferente em nível global, a FAO identificou 870 milhões de pessoas em situação de subnutrição até 2018. E o auxílio emergencial deixou de chegar ao bolso da população mais situação de extrema pobreza no País.

No Norte Pioneiro do Paraná, o pesquisador e docente da UENP Dr. Pedro Henrique Carnevalli Fernandes e a docente Vanessa Maria Ludka da UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná publicaram o artigo "Fome, Pobreza e o Programa Bolsa Família no Norte Pioneiro do Estado do Paraná".

Dr. Fernandes reafirma que a pobreza e a fome são fenômenos sociais mundiais antigos quanto o ideal pela busca de uma sociedade equitativa e disse concordar que "é produto artificial de conjunturas econômicas defeituosas, da criação humana e, portanto, capaz de ser eliminado pela vontade criadora do homem".

Evidente que o auxílio-emergencial, embora tenha essa característica muito voltada para este período de pandemia, acabou sendo um complemento na possibilidade de alimentação destas pessoas. Mesmo o Programa Bolsa Família, e agora Auxílio Brasil, tem muitos problemas e muitas coisas podem melhorar, mas tem ajudado no combate à fome. A pessoa vai ter um dinheiro minimanente para ajudar, porque hoje a cesta básica já está em valores em que o Auxílio Brasil não compra.

Precisamos ações urgentes pois a população em situação de pobreza entra em colapso social, roubos, latrocínios, drogas, etc. Pois temos pessoas passando fome, elas vão buscar comida no lixo, pedir nas ruas, em desespero, sem saber onde achar comida para sobreviver.

No Norte Pioneiro, a UENP vem analisando os dados de 46 municípios ou 5% da população do Paraná. O que se percebe de semelhança entre estes municípios são as dificuldades de geração de emprego e renda, seja no comércio, na indústria ou no campo. Não há programas sociais efetivos de inserção social ao trabalho na região.

Segundo o estudo, detectou que 19 municípios têm uma população em situação de extrema pobreza e sem acesso aos programas governamentais. No Governo Federal, perderam-se as dimensões do objetivo do Bolsa Família, e agora pelo Auxílio Brasil, para que não sejam apenas a entrega de um recurso financeiro, é apenas um complemento de renda e que precisavam uma articulação regional para outras ações para o desenvolvimento das famílias.

Desenvolvimento Social | Prefeitura Municipal de Canaã dos Carajás, Pará

 

Mas, o que pode-se constatar que no Norte Pioneiro, 12% da população vive do programa, entretanto, das famílias em situação de pobreza no Norte Pioneiro, somente 40% recebe o Auxílio Brasil, o que demonstra que há famílias que não são contempladas. Possivelmente, é a falta de atualização dos dados e podemos ter uma parcela da população que deixou de fazer parte da situação de pobreza e ainda recebe o auxílio. Enquanto outros moradores não têm a informação e não têm acesso ao seu direito. Outra situação é de 60 % dos municípios no Norte Pioneiro têm o número bem maior de moradores recebendo auxílio do que a taxa de pobreza. São dados defasados e há pessoas recebendo o benefício de forma indevida.

Infelizmente, o programa é comparado como uma "esmola" e sua distribuição é injusta, pois para muita gente seria o meio de sobrevivência em tempos difíceis.

O que fazer? Será possível os governos municipais, estaduais ou federal possuírem políticas públicas para esta situação social grave? Num país com grandes dimensões geográficas, cada região é responsável em buscar soluções próprias e urgentes. A fome e o desemprego são temas transversais e devem permear nas áreas da Ação Social, da Saúde Pública, da Educação, do Meio Ambiente, no Desenvolvimento Econômico... Um programa intersetorial para o desenvolvimento social para que o Norte Pioneiro do Paraná mude o seu título de "corredor da fome".

Yassuo Curiaki - Instituto Prevenir.

 


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