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O que implica a saída do Reino Unido da União Européia

Ontem, dia 31, o Reino Unido deixou, oficialmente, a União Européia. O processo de separação durou três anos e meio para o independência no continente. Não se sabe dizer, com certeza, o que vai acontecer e nos próximos 11 meses, o Reino Unido terá que negociar um acordo comercial com a União Européía. E ainda não está clara qual será a postura britânica nos próximos capítulos.

Esse processo é chamado de Brexit, foram três anos e meio foi uma das maiores turbulências políticas em território europeu e que devem afetar a economia mundial em 2020.

45% das exportações britânicas têm como destino a União Européia e era a terceira maior economia do bloco. Só do decorrer dos 22 meses seguintes vão determinar o impacto para o Brasil, pois tudo depende de como serão as novas relações. O Brasil terá que reorganizar o relacionamento com o Reino Unido e com a União Européia, pois o Reino Unido é um parceiro comerciante relevante para o Brasil, mas não está entre os dez principais destinos das exportações brasileiras. Em 2019, o Brasil exportou US$ 2,96 trilhões aos portos britânicos, especialmente em ouro, soja, minério de ferro, café e frango.

Saindo do bloco, o Reino Unido certamente buscará aprofundar laços comerciais e procurar novas parcerias, principalmente com a América Latina, Ásia e África. Pensando nesse sentido, economistas brasileiros acreditam que as exportações brasileiras tem potencial para crescer. Os britânicos são críticos da política protecionista da União Europeia, que não têm um setor agrícola forte e o Reino Unido pode aumentar as importações do Brasil e de outros países.

Parece que o governo brasileiro está otimista. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil deve ser um dos primeiros países a selar um acordo com os britânicos. Mas, como o Brasil está inserido na Mercosul, a negociação poderá demorar bastante tempo.

Infelizmente, o Brasil não é prioridade para os britânicos, pelo menos nesse momento, porque há grande identificação do Reino Unido com os Estados Unidos, conforme declara Simão Davi Silber, professor de Economia da USP. E os Estados Unidos e Brasil são concorrentes em algumas exportações. Tudo dependerá de acordos que ainda não foram fechados e negociações.
 

Apesar da decisão ter sido aprovada em prebiscito, o Brexit deve ter consequências negativas para a economia britânica, pois qualquer cisão sempre é doloroso, enfraquecendo a terceira maior economia do bloco. E promoverá uma desaceleração da economia,  principalmente com os britânicos que devem comprar menos dos brasileiros.

As negociações entre Brasil e Reino Unido podem ter problemas, pois o Brasil sendo parte do Mercosul, só pode fechar acordos comerciais junto com seus membros e os países do Mercosul não andam muito unidos nos últimos meses. Talvez, a saída do Brasil do Mercosul pode ser levantada. O Mercosul, no atual estágio, tem sido apenas uma união aduaneira e não um bloco para negociação e o bloco podem negociar de forma independente. Enfim, o Brexit eleva a incerteza política e econômicas que podem afetar o Brasil.

A economia global está em um momento de muita instabilidade por causa, no ano passado, da guerra comercial entre China e Estados Unidos e agora, a epidemia do coronavírus, que fez a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar emergência global. Entretanto, parece que o Brexit não tem o mesmo potencial da briga comercial entre EUA e China.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/

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